ARTIGOS ESG & ÓPTICA

FRANCISCO PAUPÉRIO: A NOSSA PEGADA

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FRANCISCO PAUPÉRIO: A NOSSA PEGADA

Artigo de Opinião MillionEyes, Dezembro de 2025

Francisco Paupério

Consultor da Tech2C


A medição da pegada de carbono acaba por ser bem mais do que uma mera obrigação administrativa, ela representa um instrumento fundamental para compreender e transformar o impacto ambiental e financeiro das organizações. A medição precisa das emissões permite às organizações identificar as fontes críticas de carbono e estabelecer trajetórias de redução baseadas em dados concretos. Reconhecer este facto é essencial para construir uma estratégia de descarbonização efetiva. Quando uma organização compreende a sua pegada de emissões, adquire a capacidade de tomar decisões estratégicas informadas. Esta visibilidade transforma-se num recurso competitivo, permitindo não apenas cumprir metas climáticas, mas também otimizar operações, reduzir custos e fortalecer a reputação junto de stakeholders. Quem não atua sobre esta vertente arrisca-se a ficar para trás. Para além da importância económica, estratégia e competitiva há também o aspeto regulatório. Com um quadro de regulamentações cada vez mais rigorosas e ambiciosas, como a Diretiva de Relatório de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) e as obrigações de rastreabilidade de emissões, tornam imperativo que as organizações dominem esta competência. Aquelas que antecipam estas exigências posicionam-se de forma mais resiliente perante mudanças normativas futuras.

Apesar de tudo isto não ser novidade, ainda é preciso reforçar a sua importância. Especialmente no contexto da COP 30, realizada no Brasil. Encontro este onde quase todos os países do mundo unem esforços para atingir o objetivo claro de limitar o aumento da temperatura global a 2ºC. Para tornar esta meta uma realidade, será necessário realizar ações coordenadas em todos os sectores económicos e em todas as escalas organizacionais. Daí a proatividade da Associação de Apoio à Sustentabilidade da Óptica em acelerar dentro da sua própria comunidade coloca-nos mais perto de atingir este objetivo coletivo. Nenhuma organização isolada, por mais empenhada que esteja, pode resolver este desafio sozinha. Ferramentas acessíveis que democratizam a medição de emissões, financiamento estratégico e parcerias colaborativas são elementos essenciais para que cada organização possa contribuir efetivamente para esta transformação sistémica. As iniciativas de ação coletiva de descarbonização demonstram que quando organizações se unem em torno de objetivos comuns, multiplicam o seu impacto. Na verdade, a descarbonização não é uma responsabilidade isolada ou individual, mas um movimento coletivo que integra ação com impacto global. Cada organização que se compromete com a medição e redução de emissões participa numa transformação económica, ambiental e social que define o futuro comum. A jornada em direção à sustentabilidade começar-se-á pela medição precisa, mas cumprir-se-á através da comunicação inclusiva, colaboração intersectorial e um compromisso duradouro com a responsabilidade climática.

Será importante reforçar que nenhuma empresa ou indivíduo está sozinha nesta jornada. Felizmente, ainda é um caminho que se faz acompanhado, apesar de todos os retrocessos mundiais a nível social, ambiental e económico que assistimos nos últimos anos. Ainda assim, há esperança. Ainda assim, há exemplos que furam o pessimismo e que nos mostram que há colaborações e parcerias que fazem avançar a sustentabilidade em todos os sectores da economia portuguesa. Esses são os exemplos que vale a pena comunicar e reforçar. Esse é o presente e o futuro.


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